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Um outro olhar

Estava me preparando para pintar, na intenção de me entregar e relaxar.

Havia separado todo material: o grafite, a piloto, as pastilhas de aquarela, os pincéis, o bloco… A música, escolhida à dedo, já tomava o ambiente, me fazendo entrar num clima de paz viajante.

Cedo à vontade de café, com seu sabor forte e marcante, de aroma inebriante(sem açúcar, claro!)

E basta um telefonema… atenção desviada, clima cortado e uma xícara de café depositada sobre o papel, que aguardava cores e sonhos.

Entre manchas e respingos, uma surpresa! Não a zanga pelo “estrago”, mas a imaginação que de repente explodia e tomava conta. As pinceladas com café, que iam adquirindo forma, numa “viagem” diferente.



Quanto tempo fiquei nisso? Não sei!

Mas fiquei feliz por não ter, num ataque de fúria ou frustração, jogado fora o papel, que aos poucos, viu pequenos borrões transformarem-se em linda paisagem.

Nem sempre temos controle sobre tudo, por mais que nos preparemos. Mas é preciso saber aproveitar, até mesmo as pequenas “catástrofes” que se apresentam em nosso caminho.


Quantas vezes nos maldizemos, pelas coisas que “dão errado” em nossa vida, pelos pequenos “azares” do cotidiano!?


O transporte que já partiu, um horário que foi desmarcado, um encontro cancelado(uma mancha num papel branco…).

Pequenas coisas que fogem à nossa vontade e nos frustram, nos deixando raivosos até.

É preciso buscar o outro lado, expandir o olhar.


Quanta coisa pode estar sendo evitada nesses momentos, que poderiam estar trazendo prejuízo para nossa vida?


À quantas pessoas eu estarei tendo a chance de levar uma palavra amiga, de consolo e sabe-se lá, de salvação até?


Até mesmo a doença que, nos pegando desprevenidos e nos tirando de “circulação” por um tempo, é convite para meditar. Nos obrigando a conviver e conhecer a nós mesmos, nos propondo mais humildade, mais paciência e principalmente mais fé e esperança.

E, confessemos, quantos de nós se propõe a isso estando gozando da mais perfeita saúde!? Fica sempre para depois, não é mesmo!? Afinal, temos tempo…


Minha mãe costumava dizer quando algo dava “errado” ou alguma coisa “ruim” acontecia: ”O que será que Deus quer me mostrar com isso?”


Penso que seria perdoável, nos apossarmos desta indagação e levarmos conosco para a vida e ter em mente que: se uma porta se fecha, olha a teu redor, porque certamente uma janela já foi aberta.

Confiemos!


A sua irritação não solucionará problema algum. O seu mau humor não modifica a vida. Não estrague o seu dia.

Chico Xavier


Por: Adriana Ricardo

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