O que é ser espírita?
- Wagner Lettnin
- há 16 minutos
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Ser espírita é ser cristão, seguidor dos ensinamentos de Jesus, o Cristo, interpretados à luz da Doutrina Espírita que, por sua vez, está baseada na razão, tanto assim que a sua definição de fé é: Fé inabalável só o é a que pode encarar frente a frente a razão, em todas as épocas da Humanidade1, tal como consta da página de abertura de O Evangelho segundo o Espiritismo.
A pergunta, que serve de título ao artigo, também poderia ser respondida assim: Reconhece-se o verdadeiro espírita pela sua transformação moral e pelos esforços que emprega para domar suas inclinações más.2
O espírita procura transformar-se moralmente, a pouco e pouco, uma vez que sabe que está vivenciando a presente encarnação na Terra, um planeta de provas e de expiações, de categoria inferior no Universo, onde ainda predomina o mal, razão pela qual tem ciência plena de que os seres humanos que aqui habitam são imperfeitos e, por isso, torna-se indispensável a transformação, para melhor, começando por ele mesmo.

Sabe também que precisa domar suas más inclinações, na medida em que estuda e avança e percebe, com convicção, que é um Espírito ou Alma, que tem um corpo material, veículo com o qual transita pelo orbe terrestre mas, que um dia, será alcançado pela desencarnação e sofrerá decomposição e transformação. O Espírito não, visto que sairá do corpo mas não sairá da vida, vale dizer, o Espírito é imortal. Todos nós somos imortais e viveremos para sempre.
Daí a necessidade de domar, de dominar as más inclinações que, possivelmente, vêm de passado remoto, porquanto já vivenciou outras existências, aqui ou alhures, sabedor que também é de que a Vida é uma só, desdobrada, porém, em várias existências.
Importante mencionar que o Espírito imortal sabe que está aqui para aprender, muito aprender, a começar pelo aprendizado da fraternidade, desde que somos todos irmãos, filhos do mesmo Pai, bem como tem ciência de que todo aprendizado que obtiver e consolidar; todas as virtudes que conquistar a ele pertencem, verdadeiramente, e levará consigo para todo o sempre, sem que nada se perca.
Ser espírita é buscar a cada dia, sem cessar, a sua melhoria, sendo uma pessoa mais agradável, mais compreensiva, mais tolerante, mais paciente, mais sensível, mais útil, mais generosa, cumpridora da parte que lhe cabe fazer, eis que vivemos em regime de interdependência em que todos precisamos uns dos outros, o que promove o equilíbrio das relações humanas e sociais, sem esquecer que o objetivo do Espiritismo é o de tornar melhores as pessoas que o compreendem.3
Ser espírita, tal como bem explicado pelo Espírito Joanes4, através da psicografia do eminente médium Raul Teixeira, é saber que:
Vida religiosa nada tem a ver com as atitudes artificiais ou piegas por muitos adotadas. Ela se vai concretizando, em verdade, quando passamos a compreender que a religião verdadeira não passa obrigatoriamente pelas aparências de fora, mas sempre será uma realidade vibrante no íntimo dos seres.
Manter contato mais próximo com Deus, com Cristo ou com os Prepostos da Luz Divina, pela capacidade de transformar velhas inclinações perturbadoras em novas posturas de trabalho renovador, por dentro e por fora de nós, isto sim é a base para a realização religiosa.
Se, na condição de pessoa religiosa, os seus atos não forem enobrecidos e úteis a ninguém, tenha a certeza de que eles são vazios e sem qualquer valor para a vida interior.
Pense e repense acerca da sua vida religiosa. Transforme-se para o bem o quanto possa. Desenvolva-se no amor o quanto puder, porque somente assim a sua atuação na esfera religiosa espalhará a luz do Cristo e o fará realmente feliz.
Por fim, ser espírita é procurar aplicar o ensinamento máximo de Jesus: Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo, que, em outras palavras, significa: Fazer ao próximo o que gostaríamos que ele nos fizesse.
Jesus de Nazaré, o Ser mais simples e mais humilde que esteve no planeta Terra, que, nada obstante e sem que tivesse tal pretensão, dividiu a História da Humanidade terrestre entre antes e depois de Sua vinda.
Por Antônio Moris Cury
Referências:
1 KARDEC, Allan. O Evangelho segundo o Espiritismo. Rio de Janeiro: FEB, 2001. Página de abertura.
2 Op. cit. cap. XVII, item 4.
3 KARDEC, Allan. Revista Espírita: Jornal de Estudos Psicológicos. Ano 1859, v. VII. São Paulo: EDICEL, 1999. Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas. Discurso de encerramento do ano social (1858 – 1859).
4 TEIXEIRA, J. Raul. Para uso diário. Pelo Espírito Joanes. Niterói: Fráter, 2014. cap. 12.






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